FONSECA-ROBBINS, JOHN

Environmental Issues

Archive for the ‘POLITICAL SCIENCE’ Category

CONFLICT ANALYSIS ACRONYMS

Posted by mar19433 on June 29, 2008

http://www.lulu.com/content/1723659

CONFLICT ANALYSIS ACRONYMS

CRC- Convention on the Rights of the Child
DFID- Department for International Development (UK Government)
EFA -Education for All
FCO- Foreign and Commonwealth Office (UK)
GINIE- Global Information Networks in Education
HIV/AIDS- Human Immunodeficiency Virus/Acquired Immunodeficiency Syndrome
ICRC – International Committee of the Red Cross

IDP- Internally Displaced Person
IDT- International Development Target
IHL- International Humanitarian Law
MDG- Millennium Development Goal
NGO- Non Governmental Organisation
OCHA -Office for the Co-ordination of Humanitarian Affairs (UN)
OECD -Organisation for Economic Cooperation and Development
PBF- Peace-building Framework
PLCA- Programme-Level Conflict Assessment
SCA- Strategic Conflict Assessment
SCF -Save the Children Fund (UK)
SWAp -Sector Wide Approach
TEP- Teacher’s Emergency Package
UN -United Nations
UNESCO – UN Educational, Scientific and Cultural Organisation
UNESCO/IIEP -UNESCO International Institute for Educational Planning
UNHCR -UN High Commissioner for Refugees
UNICEF- UN Children’s Fund
WFP -World Food Programme

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O FUNDAMENTALISMO

Posted by mar19433 on June 21, 2007

COMUNICAÇÃO POLÍTICA – O FUNDAMENTALISMO

Face à corrente constatação focada nos extremistas Islâmicos, este artigo pretende desmistificar algumas asserções associadas ao fundamentalismo. Os fundamentalistas religiosos nem são restritos a qualquer crença ou país, nem apenas aos pobres ou iletrados. Mas, são aqueles que emergem a qualquer momento e local, que sentem a necessidade da luta por uma cultura secular, ateia – mesmo que para tal fim, tenham que deixar para trás a ortodoxia de todas a suas tradições. Na realidade, fundamentalistas por todo o lado partilham uma habilidade em comum, ou seja, a criação de mensagens apropriadas ao seu tempo.

Todo o fundamentalismo é religioso. Podemos dizer que variadas organizações partilham características básicas dos fundamentalistas religiosos, inter alia: instituem limites, exigem obediência incondicional de todos, consomem avultadas energias na administração e manutenção de barreiras entre o devoto e o ímpio, e constroem fortalezas secretas e dogmáticas envolvendo “a verdade”; afirmando a sua versão como absoluta, infalível, ou inerrante. Por vezes, procuram manifestações do “fundamentalismo secular” nas diversas tendências envenenadas em nacionalismo; ou no extremismo ideológico dos movimentos revolucionários ou terroristas, desde o Baader-Meinhof Gang até ao Shining Path de Peru. Num estilo similar, podíamos até falar de “fundamentalismo científico” para sugerir a suposição, abordada pelos cientistas modernos, e filósofos, que o conhecimento empiricamente baseado é o único e seguro caminho para “a verdade”.

O fundamentalismo não é restrito ao monoteísmo. Tal como outra importante religião da Ásia meridional, o siquismo, que produziu a sua equidade de candidatos à família dos fundamentalistas, estas grandes tradições de crença e prática orientam discípulos para uma realidade (ou irrealidade) que transcende ou interpreta ilusório o mundo mundano. Variadas religiões produziram poderosos, contra-secular, contra-modernismo, absolutistas, exclusivistas, e geralmente movimentos violentos, cuja semelhança se aproxima ao fundamentalismo do mundo Judaico, Cristão, e Islâmico.

O fundamentalismo atrai ricos e pobres. Os quadros islâmicos estão repletos de pessoas das mais variadas origens e educação, incluindo descendentes de famílias abastadas, muitos deles doutorados pelas universidades Ocidentais. Mohammed Atta, o estudante baseado em Hamburgo, que aprendeu a pilotagem de aeronaves, em preparação para o voo fatídico n.º 11 da American Airlines (que colidiu contra a torre Norte do World Trade Centre, “Sept 11, 2001”) é típico do fundamentalista dos nossos dias – o iletrado, homem do campo, não é, certamente.

O fundamentalismo conduz à violência? Não, necessariamente. O contexto social, a cultura política regional ou local condicionam a direcção e objectivos do fundamentalismo. Entre os estados Islâmicos, ou temos lideranças fracas, ineptas, e decadentes ou então, repressivas, prepotentes, e ditatoriais. Em ambos casos, estamos em presença de variantes que fomentam, e encorajem o fundamentalismo violento, dedicado, e focado na destruição, substituição e mudança radical do estado (como os “taliban” fizeram no Afeganistão) ou na remoção total do poder (como os xiitas o perpetraram no Irão, e os grupos islâmicos radicais o esperaram praticar no Egipto, Arábia Saudita, e Argélia).

Os fundamentalistas fomentam a mudança. Eles querem mudar o mundo que eles vêem como um mundo ateu, mas a sua terapia não é preservar ou recriar o passado. Eles vivem num mundo, materialista, moderno, e técnico, porém, ao mesmo tempo, actuam na desvalorização dos conceitos que promovem a desumanização, e a filosofia materialista e hipocrisia ocidental, aliás, temas ardentemente defendidos desde sempre, pelos membros da organização “al Qaeda”. Da mesma forma, Sayyid Qutb, o eminente ideólogo da Irmandade Muçulmana antes da sua execução pelo Presidente Abdel Nasser em 1966, no Egipto, asseverava que as sociedades Muçulmanas tinham descendido ao estado de “jahiliyya” (pré-Islâmico barbarismo e ignorância). Uma das suas asserções visava testar, e separar individualmente o verdadeiro devoto do ímpio, do infiel, e assim justificar uma derradeira “jihad” contra o último: o conceito “jihad”, a luta do devoto contra as suas paixões profanas, transformou-se numa guerra externa a todos os infiéis. Os fundamentalistas não se opõem à mudança; eles especializam-se nela.

By John Fonseca-Robbins
Sept 2002

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O EXTREMISMO NO MÉDIO ORIENTE

Posted by mar19433 on February 22, 2007

COMUNICAÇÃO POLÍTICA O EXTREMISMO NO MÉDIO ORIENTE

Para os líderes da organização “al Qaeda”, o conflito do após 11 de Setembro de 2001, com os EUA é uma variação num longo processo histórico. Na procura de metáforas, arrisco-me a dizer que bin Laden considera a luta no Afeganistão como apenas uma batalha numa longa guerra inacabada. Esta imagem, contudo, é confusa, porque enfatiza a noção dum conflito bilateral. Para “al Qaeda”, a luta primária é entre os líderes apóstatas do Médio Oriente e as forças do “verdadeiro” Islão, das quais “al Qaeda” faz parte. A superioridade relativa de cada um dos adversários no campo de batalha no Afeganistão, embora não incoerente ou inconsistente do ponto de vista defendido e definido pela “al Qaeda”, não é de forma nenhuma uma medida precisa, e descritiva de sucesso ou prostração. Tendo em conta a facilidade de reorganização da “al Qaeda”, o mero reposicionamento das suas actividades para outras regiões, constitui só por si uma grande vitória, e, mesmo a destruição total da organização não é considerada como um insucesso. Se, por exemplo, a erradicação dos membros da “al Qaeda” resultasse no enfraquecimento progressivo dos regimes apóstatas, e ao mesmo tempo o seu martírio inspirasse outros tantos devotos, então, a sua destruição seria considerada como um grande êxito político.
Esta atitude reflecte uma proposta coerente face aos difíceis factos da vida e actual situação no Médio Oriente, onde a influência Ocidental embora permanentemente presente é ao mesmo tempo, ilícita. O domínio Ocidental – político, económico, e militar – connosco há mais de duzentos anos, é para continuar. Contudo, os termos específicos das inter-relações do Ocidente vis-à-vis o Médio Oriente transbordam em flexibilidades, e transição, e, por tal, sempre sujeitos à negociação. Ao mesmo tempo, ideologias nacionalistas, e interesses de estado ou étnicos militam activamente a favor da expulsão do Ocidente, na revisão de novas fronteiras entre estados, na desintegração de regimes, na utilização do terrorismo, e na redistribuição equilibrada da riqueza. Uma vez que qualquer sucesso na revisão destes temas, na óptica dos militantes extremistas, só lhes pode aumentar prestígio e riqueza, existe necessariamente um incessante e poderoso incentivo ao desafio com o Ocidente.
A acumulação destes factores e circunstâncias dão lugar à veia de tendência política, simbolizada pela expressão “anti-Western brinksmanship” onde a palavra “brinksmanship”, reflecte a arte ou prática militante de induzir, uma situação perigosa ou confrontação, até ao limite de segurança, de modo a forçar um resultado desejado; que no contexto, exprime a tendência dalguns actores do Médio Oriente, desafiaram directamente ou indirectamente os interesses Ocidentais, ao ponto de provocar a ameaça da sua intervenção. Nestas crises, os líderes do Médio Oriente, adoptam medidas utópicas de ideologias nacionalistas e religiosas devidamente adaptadas ao agrado simultâneo dos grupos desafectados. Estas ideologias indubitavelmente exploram variados factores no campo político: injustiças históricas contra o Ocidente; sentimentos revanchistas perante Israel (tema, veementemente defendido por bin Laden); e mais, identidades transnacionais, tais como o Arabismo e o Islão. Vejamos que efectivamente, na maioria dos casos, a resposta do Ocidente (ou Israel) a uma provocação, permite ao “brinksman” do Médio Oriente alcançar certos êxitos, os quais seriam impossíveis só pelo seu esforço. (John Fonseca-Robbins).

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O METAFORISMO HISTÓRICO E OS DEBATES POLÍTICOS

Posted by mar19433 on January 25, 2007

“Red Sunset”

O METAFORISMO HISTÓRICO
E OS DEBATES POLÍTICOS

No âmbito académico da comunicação política, existe imensa literatura acerca da investigação no uso de metáforas nos debates políticos. Uma das divisões desta literatura concentra-se na retórica da política externa americana, focando especialmente a linguagem usada por presidentes em tempos de crise ou guerra. Seja pela interpretação do estilo usado, na política externa ou noutra arena política, a maioria dos colaboradores desta literatura baseia-se na proposição que as metáforas não são meramente flores de retórica ou decoração; mas transgressões voluntariamente cometidas, que nos provocam, seduzem, e, essencialmente nos conduzem a uma interpretação e resposta a temas ou eventos de um modo diferente. Na adopção desta perspectiva, “escolásticos” da comunicação política enriquecem os seus conhecimentos com base na sabedoria dos antigos comentadores políticos – incluindo Aristóteles (384-322 a. C.), que observou há mais de dois milénios que o metaforismo imaginativo pelos actores políticos induz no receptor a “ver situações”, que doutra forma seriam iludentes ou incompreensíveis – bem como nos resultados obtidos pelos psicólogos cognitivos modernos, que desde há muito reconheceram, que a forma das pessoas interpretaram e responderam a uma nova informação, depende em parte do modo como essa informação é apresentada ou “encaixilhada”.

Porque as metáforas, por definição, direccionam a concentração mental às similaridades em vários domínios, os receptores são convidados a visualizar um tema ou fenómeno no contexto doutro tema ou fenómeno. O metaforismo é um inestimável instrumento de persuasão política. Em primeiro lugar, as características das metáforas “activam o consciente e subconsciente, originando respostas racionais e emocionais” dos receptores. Sugerindo que um líder político – “actua como Hitler”, por exemplo, é apto a produzir uma resposta mais emocional do que a mera sugestão – “actua como um chefe opressivo dum regime autoritário”, porque, evidentemente, existem emoções fortes associadas ao nome de Hitler. É este aspecto das metáforas, ou seja, a sua habilidade evocativa de associações tanto racionais como irracionais, e emocionais – que permite aos actores políticos o uso das metáforas para “ameaçar ou assegurar, aqueles que queremos encorajar a serem apoiantes ou apáticos”. Em segundo lugar, as metáforas actuam como poderosos instrumentos de retórica, porque podem ser utilizadas subtilmente com frases sugestivas ou referências oblíquas evocando uma particular metáfora, sem necessariamente expô-la explicitamente. A obliquidade favorece variados objectivos: nos casos onde seria considerado impolítico fomentar quaisquer comparações ou asserções, as alusões metafóricas permitem aos oradores a sugestão dessas conexões e, ao mesmo tempo, a negação de tal afirmação. Seleccionando as metáforas com rigor, os actores políticos podem calibrar mensagens às sensibilidades, preconceitos, e associações emocionais de particular audiências.

O estudo do metaforismo nos debates políticos, oferece o empolgamento e a iluminação necessária e crucial ao constante esforço das sociedades na compreensão das suas experiências e do mundo em que vivemos.
John Fonseca-Robbins.

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OS DIREITOS HUMANOS E A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Posted by mar19433 on January 17, 2007

________________________________________________________________________________________________________________POLÍTICA INTERNACIONAL_____________________________

OS DIREITOS HUMANOS E A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

O desenvolvimento global das preocupações suscitadas à volta do “Caso Catarina Tallon” e de milhares doutros reflecte-se no título deste artigo. O mundo nos anos noventa testemunhou uma mudança dramática na forma em que os países abordam os problemas intrafamiliares ou violência doméstica contra as mulheres. Enquanto o problema era ignorado como um assunto privado pela maioria dos países, agora muitos destes aceitaram alguma responsabilidade na prevenção da violência doméstica e na incriminação dos transgressores. Alguns países aprovaram legislação, codificando a violência doméstica como um crime punível, criando campanhas mediáticas nacionais de sensibilização aos problemas expostos, e estabelecendo, pela primeira vez, postos de polícia totalmente administrados por mulheres de forma a encorajar, particularmente, as queixosas.
Estas medidas de mudança às práticas de outrora, são notavelmente visíveis nos países da Organização dos Estados Americanos (OEA), dos quais, a maioria com excepção dos EUA e Canadá, ratificaram a convenção interamericana para a prevenção, punição, e erradicação de violência contra as mulheres, sendo este na realidade, o único tratado internacional visando a prevenção de violência contra as mulheres. Estes países ratificaram o tratado, não obstante o facto do mesmo permitir a qualquer indivíduo ou grupo a possibilidade da apresentação duma petição de queixa, junto à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos, contra o estado infractor, citando violações de responsabilidade na protecção das mulheres. Alguns países Americanos foram dos primeiros do mundo, na conquista e identificação dos problemas de violência doméstica que tanto aflige milhares de mulheres. Já em 1978, Canadá, começou o grande desafio: na localização e no financiamento de abrigos às vítimas de abuso, e nos anos oitenta identificou o problema com projectos de investigação e prevenção. Em 1985, Brasil criou o primeiro posto de mulheres-polícia (iniciativa de apoio fundamental às vítimas de violência conjugal), e o governo federal Americano deu os primeiros passos no financiamento de abrigos às vítimas carentes. O primeiro país latino-americano que promulgou leis específicas à violência doméstica foi Peru em 1993, e Argentina, Chile e EUA seguiram o exemplo, um ano mais tarde.
Há séculos que os estados, ignoram os problemas de violência doméstica como um assunto privado e irrelevante à política governamental, e além disso, como organizações burocráticas são geralmente resistentes à mudança. Para os activistas, o grande desafio reside na sensibilização dos legisladores, à transição de assuntos tradicionalmente privados para temas de alto-interesse na conduta de futuras éticas sociais, e de debate, na praça pública. Durante crises ou mudanças políticas, deputados e outros dirigentes políticos são mais susceptíveis ao debate de variados temas nas relações estado-sociedade. Estes momentos de debate político criam por vezes oportunidades únicas aos grupos activistas para influenciar a acção do estado. Outras organizações internacionais focaram os seus esforços na criação de financiamentos aos programas governamentais que traduzem retórica em acção. Por exemplo, nos anos noventa, a organização intergovernamental “Pan American Health Organization” (PAHO), argumentou com êxito perante o Banco Interamericano de Desenvolvimento, que a violência doméstica não é um problema meramente privado, social, mas sim, um poderoso obstáculo ao desenvolvimento económico sustentável. Como resultado, em 1966, este banco garantiu vários milhões de dólares para o financiamento, em seis países latino-americanos, de programas de prevenção e assistência, às vítimas de violência conjugal.
Vemos então, que vários países passaram legislação nesta matéria, criando os mecanismos necessários, estabelecendo postos de abrigo e outros serviços sociais, contudo, estamos ainda muito longe de alcançar uma redução dramática nas variadas formas de violência e na responsabilização dos infractores.
A interacção dos estados, só poderá obter bons resultados através dos esforços constantes de todos os grupos interessados.

(Fonseca-Robbins, John)

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O JUDAÍSMO E A DIÁSPORA

Posted by mar19433 on January 16, 2007

In Hebrew revelation, the world was created in six days of strenuous physical activity followed by a single day of peaceful rest. This geometrical symbol reflects the fitting metaphor: the radii of six equal circles mark out the circumference of an identical circle placed in the centre.

Durante os anos noventa, a conexão – Diáspora vis-à-vis Israel – evoluiu em sentidos diferentes. Por quase uma década, Israelitas e judeus da Diáspora (comunidades judaicas radicadas fora da Palestina) acreditaram que a paz no Médio Oriente modificaria fundamentalmente, tanto o carácter judaico de Israel como as relações entre o estado soberano de Israel e a existência do Judaísmo no Ocidente. Uma paz compreensiva e duradoura facilitaria a Israel alcançar um nível de normalização, que não só iria reduzir as suas ligações e responsabilidades com a Diáspora, mas também faria que a Diáspora se libertasse de todos os conflitos relacionados com assuntos de defesa e segurança, que durante uma geração, sempre acompanharam a vida de todos nos seus países de domicílio.

Os anos noventa foram marcados pelo envolvimento acentuado dos movimentos liberais judaicos nos EUA, onde o tema emergente em debate tinha mais a ver com a relação entre Israel, a sua identidade judaica, e a comunidade judaica Americana, do que propriamente com a segurança física de Israel. Este debate, descrito como uma batalha entre secular e judeus religiosos ou entre a identidade israelita e a identidade judaica, foi o tema doméstico mais polémico, ardentemente discutido publicamente, com ramificações políticas, económicas e jurídicas. Somente a “al-Aqsa intifada”, em fins de Setembro de 2000, e a resultante onda de terrorismo que mereceu o lugar no centro da agenda judaica, temporariamente advertiu esta ruptura que ameaçou a sociedade Israelita. Certamente, a violência faz parte da “feature” comum da “Kulturkampf” Israelita.

Já antes da erupção de violência no Outono de 2000, este debate, acerca do carácter judaico de Israel foi considerado como o tema mais contestável, jamais enfrentado pela comunidade judaica Americana que procura o verdadeiro sentido da sua própria identidade. Se bem que estes argumentos estão mais relacionados com a realidade da vida judaica nos EUA, e assim, distantes dos debates internos de Israel; o contexto – Americano e Israelita – está contudo, estritamente interligado, já que os princípios e práticas em ambos sustentam-se reciprocamente. A política Israelita e sociedade sempre dependeram do governo e da comunidade judaica dos EUA, devendo deste modo, ter em conta as opiniões da Diáspora, nomeadamente às disposições de Israel sobre a guerra e a paz, e, também acerca do carácter democrático judaico de Israel.

A teologia judaica é distinta no que toca à ênfase atribuída ao conceito de uma “homeland”, ou seja, a Terra de Israel (Eretz-Israel). Este facto define o carácter da Diáspora Judaica como único, já que, viver em terra estranha significa teologicamente a rejeição ao plano de Deus. Para os judeus religiosos, a vida nos EUA é apenas uma paragem temporária, pelo menos conceptualmente. A visão do regresso à Terra de Israel está concebida simbolicamente na própria definição de comunidade judaica. Da mesma forma, a maioria das religiões não se revelam de acordo por mapas políticos e não estão unidas por colectividades, em regiões, estados ou países, contudo, o Judaísmo debruça-se, naturalmente mais para o nacionalismo do que para o transnacionalismo, ao contrário do Cristianismo ou Islamismo. Como reforçar os laços entre os judeus Americanos e Israel, é a questão fulcral que não cessa de preocupar a liderança dos judeus religiosos, uma vez que Israel é indispensável à sua identidade judaica nos EUA.

John Fonseca-Robbins

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PUBLICIDADE – O OXIGÉNIO DO TERRORISMO

Posted by mar19433 on January 15, 2007

COMUNICAÇÃO POLÍTICA
PUBLICIDADE – O OXIGÉNIO DO TERRORISMO
Bin Laden, “al Qaeda”, e outros grupos fundamentalistas Islâmicos actuam segundo as suas ideologias religiosas e políticas, fomentando e encorajando o fundamentalismo violento, dedicado e focado na destruição, substituição e mudança radical dos estados. O terrorismo generalizado foi e continua a ser uma das formas utilizadas na prossecução dessas ambições. Para os perpetradores do terror – cada atentado é como uma lufada de ar fresco que se prolonga por tempo indeterminado – até ao próximo acto de terror em qualquer parte do mundo e momento. As organizações terroristas reconhecem a reportagem maciça e imediata de 1º plano na mancha informativa dos “media” dedicada ao terrorismo, como um factor regozijador, ideal e eficaz na instrumentalização dos seus objectivos. As imagens horrorosas de 11 de Setembro de 2001, e mais recentemente, da destruição da sede da ONU em Bagdad, desta vez, alegadamente perpetrada pelo grupo fundamentalista 1 – Vanguarda Armada – são bem ilustrativas do intenso e imediato impacto mediático dirigido a todo o mundo, e em particular aos Estados Unidos.
Comparativamente, em Setembro de 1970, militantes da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) desviaram simultaneamente quatro aeronaves, originalmente com destino a Nova Iorque, com cerca de 600 passageiros maioritariamente Americanos. Três dos aparelhos acabaram por aterrar numa parte remota da Jordânia. O intenso drama prolongou-se por três semanas. Os factos foram relatados, contudo na altura, a tecnologia das comunicações ainda não permitia transmissões ao vivo, e as emissões via satélite tinham apenas dado os primeiros passos. Naturalmente para os militantes, depois de todo o planeamento: foi um episódio para esquecer; uma desilusão, uma decepção total. Enquanto que, por outro lado, durante os primeiros cinco dias a seguir à “Terça-feira Negra” alguns canais da televisão e rádio relataram incessantemente todos os factos, sem de outro modo, as habituais pausas comerciais, e, os magazines nomeadamente Newsweek e TIME dedicaram editoriais por oito semanas a fio focando o terrorismo ou temas relacionados.
Como é que os terroristas poderiam melhorar os resultados dos seus objectivos, a não ser – cativando a atenção das suas audiências alvo – já que por ignomínia numa guerra assimétrica, mas utilizando as mais modernas tecnologias! As sondagens de opinião revelaram que literalmente todos os Americanos seguiram as primeiras notícias dos ataques, ou pela televisão ou rádio. As pretensões e expectativas dos arquitectos do terror de 11 de Setembro não poderiam ser melhores. Referindo-se aos pilotos kamikaze, o próprio bin Laden, alegadamente exclamou na altura – “Aqueles jovens…exprimiram por actos, em Nova Iorque e Washington, discursos que transcenderam quaisquer outros jamais proferidos”. Com estas palavras, bin Laden revelava que considera o terrorismo como o veículo de comunicação das suas mensagens. O facto da comunicação social americana, no período 11 de Setembro 2001 – 6 de Outubro 2001 ter dado mais atenção a bin Laden do que ao presidente Americano, foi notável, se considerarmos que George W. Bush realizou 54 discursos públicos durante o mesmo período, comparado com bin Laden que não apareceu em público, em conferências ou entrevistas tête-à-tête.
Os terroristas e os “media” são como sócios num casamento de conveniência: os terroristas necessitam de toda a publicidade possível; os “media” necessitam de eventos dramáticos, trágicos, chocantes, e sensacionais para sustentar a popularidade ou circulação, não pondo em causa o dever de informar o público de todos os eventos para que os cidadãos interpretem e escolhem decisões correctas, na continuidade de uma democracia saudável. (John Fonseca-Robbins)

1.Fundamentalista. Adepto do neo-reformista radical revolucionário Islamismo.

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